terça-feira, 16 de março de 2010

Pelas homenagens póstumas em vida

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Acho ruim essa história de as homenagens póstumas serem póstumas. Explico: como não acredito em vida após a morte (nem na fada dos dentes), é uma tristeza o morto não ter tido o direito, ou o prazer, ou o desprazer, de editar e comentar as próprias homenagens que receberia.

Hoje, numa conversa com uma amiga, tive a ideia de propagar essa ideia: as homenagens póstumas deveriam ser feitas com o morto ainda vivo. Assim ele teria o direito constitucional de rever certas lembranças (passado de morto é a terra das oportunidades), teria a chance de denunciar hipocrisias, a gentileza de agradecer as homenagens sinceras e, sobretudo, teria o prazer de organizar o próprio funeral, evitando a presença de desafetos.

Por exemplo: o ex-campeão de Fórmula 1 Alain Prost odiava Ayrton Senna, dentro e fora das pistas, ódio este que era fartamente retribuído. A morte do Senna em 94, que não me comoveu porque sempre o achei antipático, comoveu subitamente o francês, que correu a agarrar uma alça do caixão. Se o Senna estivesse vivo e tivesse um minúsculo bom humor, teria levantado do caixão e enxotado o desafeto.

Vinte anos atrás, eu mesmo bolei minha lápide: "Ele nunca foi à Disney e nunca foi a um musical na Broadway". Como demorei a morrer, acabaram me empurrando musical da Broadway adentro, estragando minha lápide. Resolvi trocar por "Perco a vida mas não perco a piada".

Gostaria muito, se os que me conhecem lerem este texto, que aproveitassem o ensejo e deixassem, aí embaixo nos comentários, minhas homenagens póstumas.

Afinal estou vivo, mas nunca se sabe por quanto tempo.

Um dia eu faço esse site.

12 comentários:

Maurício Melo disse...

Ah, mas a Band News já faz isso! Ele prepara e exibe uns obituários de gente que ainda está viva! Repare na programação do canal que você vai ver.

Abraço

Ana Claudia Trocoli Torrecilhas disse...

Beto, profundo o seu comentario
Ana

Beto Melo disse...

Que legal, eu não sabia (e não achei a programação no site deles). Mas o que eles fazem é jornalismo provavelmente pra gozar os políticos e famosos... e eu propus um mecanismo de defesa da honra! rs.

Júlia disse...

po pai, eu e o arão estragamos a primeira lápide.
mas tudo bem, o novo epitáfio já está aqui anotado, já que provavelmente eu que vou cuidar disso!

e sobre memórias póstuma em vida, no comentário do blog, nada disso!
porque você que me ensinou a falar mal pela frente e bem pelas costas! hahaha

love u, dad!

:*

Beto Melo disse...

Estragou minha lápide e agora estraga meu blog! love u too, kid.

Taty Valéria disse...

Como diria Ariano Suassuna, falar mal de alguém tem que ser pelas costas, doo contrário, é de uma deselegância sem fim.

Beto Melo disse...

Taty, concordo e desconcordo com o Suassuna. Eu sempre falei mal pela frente, com a maior deselegância, e nunca ninguém me levou a sério. Quanto mais eu falava mal, mais a pessoa ria. Eu acho que tenho problemas. Beijo!

Auber disse...
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Silvana Destro disse...

To achando que você só quer tripudiar em cima dos desafetos. Não concordo. Vc quer o direito constitucional de ir lá canetar a minha homenagem ou desomenagem? Nesse seu devaneio vc previu réplicas ou tréplicas? Ok, é uma boa desculpa pra não se morrer.

Auber disse...
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Beto Melo disse...

Silvana, querida, não vou morrer enquanto não editar seu post lacrimoso sobre mim!

Auber disse...

Tche, tenho poucos, mas verdadeiros amigos. Estes me prestam homenagens "póstumas" cotidianamente, com um elogio, um carinho, um gracejo, tudo o que uma boa amizade necessita pra se manter. Não é preciso morrer ou estar à morte pra terem enaltecidas tuas virtudes. Agora, se não tens isto, no teu dia-a-dia, então, meu caro, lamento, mas te faltarão amigos verdadeiros pra lamentar e muita hipocrisia e oportunismo em teu velório, que é o mesmo que já tens em vida...